
HELL YEAH! I NEED THIS!!
Quando eu era criança, ouvir que alguém era gay era uma coisa muito chocante. Era algo que eu pensava ser completamente anormal. Mas não era minha culpa, era o que eu ouvia das pessoas ao meu redor. E eu fui crescendo assim, nessa ideologia.
Por não ser igual as meninas que saiam ficando com os meninos, por ninguém saber de quem eu “gostava”, por não me arrumar pra ir pra aula, por achar meninas um saco e sempre gostar mais das brincadeiras dos meninos (Afinal, pra mim sempre foi mais divertido correr na rua, brincar de bola, andar de bicicleta ou com os soldadinhos de brinquedo do meu primo), ser chamada de “sapatão” na escola era algo comum no meu dia-a-dia. E pra mim aquilo era insulto. Já cheguei até a bater numa pessoa por causa disso. rs.
Mal sabia eu, que com o passar do tempo o que iria perder a graça pra mim seria os meninos. Claro que já me apaixonei por alguns deles, ou pelo menos era o que eu me forçava a sentir. Aquela paixão de pirralho, sabe? “Que menino bonito, gosto dele.”.
Mas era difícil entender porque eu gostava tanto de andar por vários quilômetros embaixo do sol do meio dia pra ir da escola que eu tava estudando até a que eu tinha estudado no ano anterior pra pegar minha amiga lá e voltar TUDO de novo SÓ pra deixar ela no trabalho. Eu achava que era só minha linda amiga que eu gostava tanto.O tempo foi passando e eu fui percebendo que meu jeito de olhar pras meninas era diferente. Era como as outras meninas olhavam pros meninos. Mas eu preferia ignorar aquilo, pensar que era só coisa da minha cabeça. Não era.
Eu sempre estranhei ter receio de meninos. Nunca tinha nem beijado um na bochecha até os meus 14 anos. Era um tormento que me deixava nervosa. Eu não sentia confiança naquele “tipo de gente”. Pro meu primeiro beijo acontecer, tive toda uma preparação psicológica. rs.O tempo passou e foi quando claramente aconteceu. Eu sabia que tava apaixonada, não tinha mais como fingir que não era. Por mais que eu fale que foi muito fácil “me aceitar”, não foi. Foram ANOS. Foi nisso de querer ser o que eu não era que eu me forcei a acreditar que aquilo não era eu, que era uma fase e novamente, fingir que era coisa da minha cabeça. Isso me fazia deprimida, sem vontade pra nada. Faltar aula, não levantar da cama por dias, ficar sem comer e ir escondida pra psicologa da escola todos os dias eram coisas comuns pra mim. Eu estava sempre me reprimindo, me pondo pra seguir uma estrada sem fim, indo prum lugar que não era o meu. Sem me deixar viver sendo eu de verdade. Ouvindo um sempre: “Tá querendo aparecer.”, “É modinha”, mas ninguém sabia o que se passava dentro de mim de verdade. Talvez até hoje ninguém saiba, ou só poucas pessoas.
Continuei nessa, levando uma vida de “pessoa normal”, com namorado e tudo mais. Mas eu não entendia porque era como se sempre faltasse alguma coisa, mesmo com sentimento. E foi assim, que eu sempre procurei minha felicidade de formas absurdas. Magoei gente demais sem saber o que tava fazendo.
Até que aconteceu de novo, me apaixonei. Eu tava amando loucamente. Perdidamente. Incontrolavelmente. Incondicionalmente. O que viria a ser o mais complicado espaço de tempo da minha vida. Foi quando eu percebi, eu tinha que deixar de ter medo. Tinha que finalmente aceitar que eu sempre soube o que queria da minha vida, só nunca deixei acontecer. Eu tinha que ser forte e deixar de ser a hipócrita que sempre lutou contra a merda da homofobia e nunca teve coragem de lutar contra o preconceito contra si própria.
E agora, depois de 6 anos eu posso dizer: Eu sou assim, eu me aceito e me orgulho. Não por esse fato. Mas porque quem me conhece de verdade sabe, que o que há dentro de mim é maior do que qualquer coisa. Como minha mãe fala: “O que vale é seu caráter e eu sei que ele é maravilhoso.”.Ela também disse que me amará independente de qualquer coisa, assim como o meu pai também falou. Então, preciso me preocupar com mais o quê? Com minha felicidade, apenas. E é desse jeito que eu sou feliz. Essa sou eu, honestamente e sem máscaras. :)













